“Carne Viva” estreia dia 20 de março, quinta-feira, às 19 horas, no Teatro do SESC 24 de Maio.

“Carne Viva” estreia dia 20 de março, quinta-feira, às 19 horas, no Teatro do SESC 24 de Maio.

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“Carne Viva” estreia dia 20 de março, quinta-feira, às 19 horas, no Teatro do SESC 24 de Maio.

Escrita aos 16 anos por Luh Maza, tragédia fabular contemporânea “Carne Viva” estreia nacionalmente mais de 20 anos depois com encenação polifônica da própria autora, com Christiane Tricerri, Mawusi Tulani e Tenca Silva, no elenco

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Em uma cena com ares vitorianos que poderia estar no século XIX, como nos dias de hoje, diferentes vozes e corpos femininos se entrelaçam na construção de Uma Mulher, persona destituída de um nome ou características específicas, mas definida por seu gênero.

É entre a intimidade da cozinha e o campo de convivência – e confronto – da sala de jantar, que a personagem entra em um delírio ao receber um quilo de carne para preparar ao marido.

A ação cotidiana adquire ares espetaculares quando ao tentar cortar a carne ela vê Jesus Cristo à sua imagem e semelhança e passa a contar e questionar o seu passado atravessado pela violência patriarcal num mundo representado por um Deus no masculino, enquanto ela busca algum tipo de redenção frente a uma tragédia anunciada em sua vida cotidiana. Um dos primeiros textos escritos pela autora Luh Maza, aos 16 anos, o monólogo de fluxo de consciência, declaradamente uma tragédia, flerta com elementos do terror.

A obra mistura o sagrado da liturgia cristã ao profano da violência doméstica, evocando o papel onde a mulher foi aprisionada socialmente.

Através da ficção, a peça questiona o papel designado à mulher na instituição matrimonial ocidental, historicamente manipulado e subjugado pela domesticação servil e violenta, com a mulher muitas vezes vista como posse de seu marido, como um pedaço de carne.

Escrito inicialmente como monólogo, para dar conta de sua Coreografia Dramatúrgica, ou seja, a partitura de movimentos e musicalidades que compõem suas encenações, Luh Maza decidiu então multiplicar a personagem incorporando outras duas atrizes em uma versão polifônica, o que contribui para a amplificação da força do texto e da cena. Fractais, cada atriz carrega em si o todo da personagem e evoca diferentes mulheridades.

A dramaturgia foi originalmente escrita em 2003 – partindo da pesquisa de Luh Maza sobre a mulher na história, com o recorte do papel de esposa na cultura ocidental dos séculos XIX e XX –, em formato de fluxo de consciência, a ação se passa dentro da mente de uma personagem que a partir do contato com um pedaço de carne para preparar para saciar a fome de seu marido, entra em uma vertigem onde ela se vê como Jesus Cristo – o Deus masculino da sociedade patriarcal. Entre a cozinha e a sala de jantar, a personagem, descrita apenas como “Uma Mulher”, se desloca dos papéis de gênero e passa a questionar seu passado atravessado pela violência doméstica e por sua resiliência, enquanto busca algum tipo de redenção frente a uma tragédia anunciada em sua vida.

Trata-se de uma história com linguagem lírica, e, sobretudo, de uma fabulação para alimentar a instância do eu lírico, essa outra pessoa, que não anuncia um discurso direto, mas convida à alteridade com sua existência específica e através da reflexão permite aos espectadores fazerem suas próprias correlações, analogias e traduções para suas experiências individuais.

Para a cena, Luh Maza traz o gênero da tragédia, fazendo relação com outro gênero próximo: o terror.

A proposta é provocar uma experiência de sinestesia dentro da sala do teatro, numa fruição que não tem sido tão experimentada no teatro atual – mais voltado a depoimentos e discursos pessoais que à fantasia -, mas que se aproxima da linguagem cinematográfica (a diretora também tem se dedicado ao audiovisual) onde o público ainda se permite imergir.

Ficha técnica

Direção, texto e cenário: Luh Maza

Elenco: Christiane Tricerri, Mawusi Tulani e Tenca Silva

Diretora-assistente: Michelle Boesche

Direcionamento vocal: Soraya Ravenle

Música original: Bruno Campos

Design de som: Malka Julieta

Iluminação: Aline Santini

Figurino: Telumi Hellen e Mari Morais

Visagismo: Louise Helène

Ilustração: Erica Mizutani

Foto de divulgação: Paulo Vainer e Bob Sousa

Serviço

Temporada: de 20/3 a 20/4, quintas às 19h, sextas e sábados às 20h, domingos e feriados, às 18h. NÃO HAVERÁ APRESENTAÇÃO no dia 18 de abril, Sexta-feira Santa (Paixão de Cristo), por isso HAVERÁ SESSÃO EXTRA no dia 19 de abril, sábado, às 17h.

Local: Teatro do Sesc 24 de Maio. Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô). Lotação: 216 lugares.

Ingressos: Compra pelo no site sescsp.org.br ou através do aplicativo Credencial Sesc a partir do dia 11/3 e nas unidades do Sesc SP a partir do dia 12/3 – R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc).

Serviço de Van:Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.

Duração: 60 minutos

Classificação: 16 anos

N e y M o T T a

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