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- Categoria: Eventos e Acontecimentos
- Publicado em Segunda, 06 Fevereiro 2012 14:42
- Escrito por André Domingos
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Tres lagoas ira prestigia o evento da arte digital
Agosto é marco da arte digital no Brasil
Por Mirna Feitoza

"Parallax", de Simon Biggs/Divulgação
Artistas e teóricos se reuniram em São Paulo para dois grandes eventos, File e Emoção Art.Ficial
Não é necessário ser especialista para cravar o mês de agosto de 2002 como marco da arte digital no Brasil. Foi nessa data que artistas, teóricos, profissionais e estudantes conectados no trinômio arte-ciência-tecnologia se reuniram em São Paulo para participar de dois grandes eventos, o File (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), organizado por artistas e pesquisadores independentes, e o Emoção Art.ficial, realizado pelo Itaú Cultural.
Com cerca de 200 trabalhos em exibição e 80 artistas participando do simpósio, o File chegou este ano à sua terceira edição, constando no cenário das artes on line como um dos principais eventos da categoria. O prestígio pode ser auferido com uma simples consulta ao ranking do Google, que aponta o festival como o mais acessado na categoria de eventos de arte digital há meses.
Para além do recurso quantitativo, é importante lembrar que o prestígio pode ser medido também qualitativamente. Basta lembrar que a maioria dos artistas estrangeiros, como Simon Biggs, australiano radicado na Inglaterra, cujo trabalho é reverenciado pela crítica internacional, aceitou ter que descolar passagem e hospedagem para se apresentar no File, já que o festival, segundo os organizadores, não tinha como arcar com essas despesas.
“Tiramos dinheiro do próprio bolso para fazer o File. Temos alguns apoios, mas não patrocínio”, afirma o artista e organizador do festival, Ricardo Barreto, que não quis revelar o custo do evento.
Com verba de R$ 1,7 milhão, o Emoção Art.ficial trouxe 39 obras fundamentais produzidas pelos mais importantes laboratórios de arte tecnologia do mundo. Novamente a questão não se esgota em dados quantitativos. O evento do Itaú Cultural trouxe também ao Brasil 62 profissionais, entre artistas, técnicos e teóricos das novas mídias, como o russo radicado nos Estados Unidos Lev Manovich, autor de “The Language of New Media” (2000), obra que se tornou bibliografia obrigatória para todos os investigadores da área e que será publicada em português, em 2003, pelo Itaú.
Com dois eventos desse porte acontecendo simultaneamente, o Brasil tornou-se palco de um episódio inusitado na carente cena nacional da arte-tecnologia: Jeffrey Shaw e Simon Biggs, duas das maiores estrelas presentes apresentaram seus trabalhos no mesmo dia, na mesma hora e na mesma cidade (o primeiro, no Emoção Art.ficial; o segundo, no File).
O fato é relevante não só pelo porte dos artistas envolvidos, mas porque demonstra claramente, a despeito da tensão nos bastidores gerada pela simultaneidade dos dois eventos, que se alguém saiu perdendo algo nessa história foi aquele que deveria ter sido o agente legitimador das ousadas empreitadas: o público de pesquisadores, desenvolvedores e criadores em novas mídias.
Fonte: www.uol.com.br





















